
O ano era 1993. No Canadá, em Abbotsford, o cenário não tinha nada do glamour de “O Lobo de Wall Street”. Era um subúrbio chuvoso, longe das torres de vidro de Toronto ou Nova York.
Nesse cenário pouco promissor, um jovem corretor de ações de 23 anos chamado Trent Dyrsmid sentava-se em sua mesa. Ele era um novato, não tinha contatos, não tinha reputação e, tecnicamente, tinha tudo para falhar.
A maioria dos corretores nessa posição desiste em seis meses, esmagada pela rejeição constante de clientes que batem o telefone na cara.
Mas Trent tinha algo que os veteranos não tinham. Ele não tinha uma meta de milhões de dólares colada na parede.
O que ele tinha eram dois potes de vidro sobre a mesa.
Um pote estava vazio. O outro estava cheio com exatos 120 clipes de papel.
Todas as manhãs, às 8:00 em ponto, antes de verificar as notícias ou tomar café, Trent fazia uma ligação. Se alguém atendesse, não importava se comprassem ou desligassem na cara dele, ele movia um clipe do pote cheio para o pote vazio.
O jovem não parava até que o primeiro pote estivesse vazio.
“Eu começava a ligar todas as manhãs às 8h”, disse ele anos depois. “Eu nunca olhava cotações de ações ou pesquisas de analistas. Eu apenas movia o clipe.”
Em 18 meses, aquele novato no subúrbio canadense estava trazendo 5 milhões de dólares em ativos para a firma. Aos 24 anos, ele ganhava o equivalente a 125 mil dólares por ano, um salário de executivo sênior.
Trent não era mais inteligente. Ele apenas dominou a arte de tornar o progresso visível.
O paradoxo do “começar grande”
Jovem1, aqui está o erro fatal que cometemos quando decidimos mudar de vida: confiamos na nossa versão motivada.
Quando você diz “Vou ler um livro por semana”, você está fazendo uma promessa baseada em como você se sente agora (motivado), ignorando como você se sentirá na quarta-feira à noite (exausto).
A história de Trent Dyrsmid nos ensina o segredo dos mini-hábitos: o sucesso não vem de picos de heroísmo, mas de tédio consistente.
A maioria de nós tenta mover 120 clipes de uma vez. Trent movia um.
Se a meta dele fosse ficar rico, a ansiedade o teria paralisado na décima ligação. Mas a meta dele era apenas mover o metal. É uma tarefa binária. Ou você moveu, ou não moveu. Não há espaço para negociação emocional.
Por que ler 1 página vence a procrastinação
Aplicar a Estratégia dos Clipes à leitura resolve o maior inimigo da consistência: a ambiguidade.
Quando você define a meta “Ler mais”, seu cérebro não sabe o que fazer. É vago. É assustador. Quando você define a meta “Ler 1 página”, você hackeia o sistema de recompensa do seu cérebro de duas formas:
- Redução da fricção: A barreira de entrada é tão baixa que você se sente estúpido se não fizer. Ler uma página leva 90 segundos. Você não tem a desculpa do “não tenho tempo”.
- Visualização do progresso: Assim como os clipes se acumulando no pote vazio, ver o marcador de página avançar, mesmo que lentamente, cria um feedback visual de que você é alguém que lê.
James Clear, autor de Hábitos Atômicos, chama isso de “padronizar antes de otimizar”. Você não pode melhorar um hábito que não existe.
Primeiro, torne-se a pessoa que abre o livro todo dia (mesmo que leia uma frase). Depois, e só depois, preocupe-se em ler um capítulo.

O desafio dos mini-hábitos
Seu cérebro vai tentar te sabotar. Ele vai dizer: “Uma página? Isso é ridículo. Isso não vai fazer diferença nenhuma. Vamos ler 20 páginas ou nada.”
Não caia nessa armadilha. Essa é a voz da procrastinação disfarçada de ambição.
Trent Dyrsmid não tentou fazer 120 ligações no primeiro minuto. Ele fez uma. O segredo não estava no número 120, estava no movimento físico do clipe.
Seu plano de ação para hoje é…
Não prometa ler um livro este mês. Faça o seguinte:
- Escolha o seu “clipe”: Defina sua unidade mínima. Pode ser ler 1 página, ler 1 parágrafo ou até abrir o livro e ler a primeira frase.
- Crie seu rastreamento visual: Não precisa de potes de vidro. Use um calendário na parede e faça um X (o método Seinfeld). Ou coloque 5 moedas no lado esquerdo da mesa e mova para a direita a cada página lida.
- Pare antes de cansar: Nos primeiros dias, force-se a parar antes de ficar exausto. Deixe um gostinho de quero mais. Ernest Miller Hemingway parava de escrever quando ainda sabia o que aconteceria a seguir. Isso torna o início do dia seguinte mais fácil.
A mediocridade adora o grandioso que nunca acontece.
A excelência ama o pequeno que se repete todo dia.
Mova o seu clipe hoje.
Com carinho,
Robison Sá.☕
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- Chamo todos de jovem. É uma mania minha.🙂 ↩︎








